segunda-feira, 15 de junho de 2009

Excremento Social


Em todos os séculos da história humana na Terra, consta-se pelo menos um grupo de pessoas que foi excluído ou reprimido por outros grupos.
Temos exemplos por todos os lados; judeus na Alemanha nazista, negros no apartheid, dalits na Índia fazem parte dessa gama enorme de intolerância.
Essa exclusão e/ou repressão também atinge homossexuais por todos os lados do mundo, por bastante tempo, sendo cada vez mais combatida.
Contudo, estamos longe do fim (ou redução drástica, pelo menos) desse preconceito e errôneo julgamento.
É triste e, sobretudo, preocupante escutar e ver os estereótipos gays e o ódio sendo repetidos por crianças de 6 ou 7 anos. Mais triste ainda é ouvir pessoas dizendo "jogaram bombas na Parada dos viados" como se fosse algo banal, aceitável.
Grande parte da sociedade se choca mais com dois homens se beijando do que com pais que matam filhos, estupradores e assassinos. Faz tempo que esse tipo de notícia é corrente por aqui, entretanto, o pensamento não evolui. Virou quase mania nacional acompanhar tragédias como quem acompanha novela.
Nesse emaranhado de problemas e situações constrangedoras esquecem muitas vezes que lá há pessoas, como eu, como você, como eles. Com certeza essa pessoa é merecedora de respeito, afinal, é um país para todos (algumas vezes, penso que é para tolos).
É necessário vontade e muita coragem para ser feliz e isso não pode deixar de orientar nossos passos rumo ao dia em que agredir pessoas na rua, as excluir socialmente, além de ofender, apenas pelo fato de amarem diferente, não seja mais aceitável.
Nesse emaranhado de problemas, vozes surgem com um grito contra todo ódio mal justificado, contra todo preconceito. Substituem muitas vezes a minha voz rouca, a sua voz cansada, o nosso grito errante. Só é possível acabar com o preconceito, parando de cometer erros passados, por meio da união.
A união por um grito sobre a vida, o poder, o sol, a natureza, a arte, a harmonia e o espírito. A união por um grito que traduz amor. Apenas amor.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Família e Homossexualidade

Post pedido e dedicado ao eterno amigo P-W.
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O primeiro comentário que escutei naquela noite de festa familiar na minha casa foi sobre um primo distante que havia se assumido gay. "Eu não consigo entender! Onde que eu errei na criação dele?". Fiz cara de compreensão, mas por dentro imaginava qual seria a reação dos meus pais se soubessem.
Pelo que sabia desse primo ele tinha uns 25 anos, morava com um, até então, amigo e era advogado. Mas para mim era diferente, tinha 17 anos, ensino médio, e com milhões de dúvidas na cabeça; caso desse alguma coisa errada, não teria para aonde fugir.
Fiquei calado sem prestar atenção na morte do tio-avô-do-vizinho-da-familia. Tudo que eu mais queria era ser sincero com meus pais, poder explicar que não havia escolhido ter aqueles sentimentos. Desejava incessantemente poder encontrar a pessoa certa e ser feliz com ela.
Mas minha realidade era outra.
Levantei-me para andar pela casa e encontrei meu irmão com a namorada. Todos se orgulhavam do filho mulherengo e machista que haviam criado. Perguntei-me porque não poderia ser a mesma coisa comigo.
Ouvi alguém falar meu nome na sala e voltei para ver o que era. Mais uma daquelas perguntas clássicas de encontros familiares "E a namorada?". Minha vontade era responder: "Namorada eu não tenho, mas namorado é outra história...". De alguma forma, esse pensamento me divertia.
No meio de toda aquela confusão notei a ausêncio do meu pai. Onde ele estaria? Subi as escadas até o quarto dele e o encontrei sentado na cama, chorando, vendo fotos antigas da família.

- Que foi, pai? - perguntei, sentando ao seu lado.

- Nada demais... Apenas senti falta vendo essas fotos, lembrando da infância de vocês. Agora vejo você e seu irmão tão crescidos, começando a viver a vida de vocês... - ele limpou os olhos.

- Ah, mas a gente sempre vai estar com vocês - tentei parecer animado.

Ele não disse nada, apenas olhou no fundo dos meus olhos e entendeu naquela hora o que acontecia no meu interior. Sem nenhuma palavra minha o meu segredo foi revelado.

- Filho, não precisa ter medo. Estou com você e não há nada de errado com você. Eu e sua mãe te amamos muito, independente de tudo - levantou-se, com um sorriso carinhoso no rosto.

- Do que está falando, pai? - comecei a ficar gelado.

- Pensei que quisesse contar algo - ajeitou a blusa - Quando estiver pronto, saiba que nós também estamos.

Fiquei no quarto com meus pensamentos. Sorri para mim mesmo e quis gritar de felicidade. Eles sabiam. Eles sabiam mesmo. Levantei-me e fui responder a pergunta da namorada lá na sala.
Não era mais necessário fingir. Nunca mais.

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Espero que tenham gostado do conto e bom final de semana!

domingo, 1 de março de 2009

Quem tem medo do Lobo Mau?



São crescentes e preocupantes as notícias de preconceito vindo de pessoas que presenciaram um beijo ou um gesto de afeto entre duas pessoas do mesmo sexo em local público. Muitas vezes, esses homens e mulheres são retirados do lugar e, em alguns casos, com violência verbal.
Entram nesse assunto vários argumentos das duas partes. A primeira diz que vivemos em sociedade e que incomoda ver dois homens, por exemplo, se beijando em público e que seria uma questão de bom senso. A segunda expõe que todos têm direitos iguais e que esses comentários são frutos da homofobia
Minha posição é bem clara sobre o assunto e estou com a segunda parte da história. Mas ainda me causa espanto esse tipo de tabu. Quero dizer, já houve tantos erros na história da humanidade sobre o assunto e continuam repetindo, batendo na mesma tecla, que nunca deu certo.
Aceitamos ver pessoas roubando, pessoas matando, pessoas roubando, mas não aceitamos ver duas pessoas se beijando? Pregam o amor, mas são contra o mesmo, já que pode ser coisa do "demônio".
Não entendo esse medo todo de apenas um beijo que, aliás, são de pessoas que provavelmente você não vai ver nunca mais. Talvez seja uma forma de se defender daquilo, pois podem ter receio de sentirem a mesma atração por pessoas do mesmo sexo.
Gostaria de saber como é a situação em outros países e caso alguém saiba, por favor, me informe. Quem sabe em alguma parte do mundo haja lucidez e verdadeiro bom senso.
Concordo que não pode ir fazendo coisas mais calientes em qualquer lugar, mas isso vale para todas as manifestações sexuais existentes. Agora, não se pode aceitar essas mesmas notícias de uma sutil ditadura comportamental.
Termino esse post com um vídeo muito legal sobre o Amor Gay, espero que gostem e caso já conheçam, vejam novamente.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Sim, eu aceito!

"Em alguns países, homossexualismo ainda é crime. No Egito, é condenado à prisão. No Iraque, é açoitado em praça pública. No Irã, é enforcado. No Afeganistão, é apedrejado até a morte. E depois dizem que homossexual que é doente".
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Em cada um desses países da propaganda da "Olla" (marca de preservativos) sobre a liberdade sexual vê-se punições graves aos homossexuais. No Brasil não há penas para quem pratica ou é homossexual, mas vive-se também uma tortura tão grave quanto as retratadas na imagem.
O antigo líder indiano, Gandhi, disse o seguinte: "A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência." Esse pensamento traduz exatamente o que há em cada dia, uma "prisão livre".
Muitos dirão que não são preconceituosos, mas que preferem gays e lésbicas longe deles. Uma bela contradição, diga-se de passagem. A grande questão é: a homossexualidade é passível de crítica?
Afinal, ninguém escolhe ser homossexual ou heterossexual, e mesmo se pudesse escolher, não haveria nada de errado; é apenas amor.
Em novelas, igrejas, cultos, centros, escolas (e em outros lugares) fala-se que as pessoas não se amam mais, e que existe muita maldade, então, contabiliza-se mais uma contradição.
Cada parágrafo desse texto foi escrito com dificuldade, pois é tão gritante o absurdo do preconceito que torna-se complicado de escrever. Cada frase pede uma interrogação no final, já que são muitas dúvidas, contudo, passou da fase de questionamentos.
Vive-se no século XXI, após uma sequência de erros horríveis contra as diferenças, sejam elas religiosas, sexuais ou raciais. Não é inteligente repetir os mesmos equívocos. Precisamos afirmar, gritar e lutar pela nossa felicidade.
Abro, então, o blog "Sim, eu aceito! - Um casamento com a pluralidade". Desejo que possamos debater os mais vários temas que envolvem os universos homossexuais, bissexuais, heterossexuais, e outros. Todas as opiniões são válidas, desde que com educação.
Muitos não comentarão nos textos, apesar de lerem, por medo, paranoia ou pelo que for, mas eu sei que todos querem escapar dessas punições. Precisa-se de coragem para ser feliz, e torço para que tenhamos.
Afinal, somos livres; todos nós.